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NOS ANOS OITENTA IRÍAMOS MUDAR O MUNDO


          Quando ouvi essa canção pela primeira vez era estudante do curso de história na FURJ. O ano? 1986, tínhamos acabado de sair de uma longa ditadura militar, com toda sorte de autoritarismos e censuras.
          Salpicaram no cenário nacional uma série de bandas de rock cujas canções eram carregadas de um lirismo, com pitadas ácidas de crítica social.
          Havia uma esperança no ar, um sentimento e uma intenção de mudar o mundo. Ao longo do tempo percebi que mudar o mundo era um projeto no mínimo megalomaníaco e então passei a entender que independente do que você faça as coisas mudam. É como afirmava o antigo filósofo grego Heráclito. "Nunca conseguimos nos banhar na mesma água de um rio".
          A vida passa, as coisas acontecem e não adianta a gente ficar com aquele velho e surrado discurso: porque no meu tempo... as coisas eram melhores. Isso não passa de um saudosismo infundado e acomodado.
          Os homo sapiens tem somente 1 milhão de anos de existência, ainda estamos nos humanizando, entre avanços e retrocessos. Hoje acredito nas pequenas mudanças.
           É imperativo no exercício da docência acreditar e de fato ter sensibilidade para ver que uma palavra, um gesto, uma aula, uma leitura, possam despertar nos jovens, como diria Freud: a pulsão de vida ou de morte.
           Podemos fazer os jovens ou crianças florescerem para a vida, elevarem a sua autoestima, reconhecer o seu direito inalienável ao saber formal, associado a sua experiência de vida, ou simplesmente não contribuir com nada ou pior ainda levar essas crianças e jovens a crença de que não são capazes de aprender e que, portanto, estão fadados ou fadadas ao fracasso. Quando isso acontece é uma trajédia, e quem perde somos todos nós.


       

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